MUKANDA TIODORA, 224 páginas, Marcelo D'Salete, Veneta, 2022.

Em meados do século XIX, a população negra seguia
construindo seus espaços na cidade de São Paulo. A Irmandade
de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos conseguira
construir a Igreja do Rosário, e em torno dela promovia
celebrações com grande presença africana. A área de matas
conhecida como Campos do Bexiga, em torno do córrego
Saracura, um refúgio para fugitivos da escravidão, já se
transformava em base de uma comunidade negra. Graças ao
trabalho escravo, o café enriquecia a cidade, mas nas fazendas
surgiam mais e mais quilombos, mais e mais rebeliões…

Ainda que o poder estivesse totalmente nas mãos dos homens
brancos (vários deles nem tão brancos assim…), nas ruas milhares
de pessoas negras – escravizadas ou livres – trabalhavam em
diferentes ofícios – carregadores, lavadeiras, quitandeiras e outros.
Entre essas pessoas estava Tiodora, uma mulher escravizada que
procura, através da palavra escrita, alcançar sua alforria. Este livro
inspira-se nesse momento.

Nova obra de Marcelo D’Salete, Mukanda Tiodora joga luz sobre
a São Paulo da década de 1860. Época em que circulavam
nos corredores da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco
não apenas as ideias abolicionistas, mas também intelectuais
negros como o aluno Ferreira de Menezes e esse vulcão
chamado Luiz Gama, que ousava enfrentar o escravismo nos
tribunais e também em publicações como o Diabo Coxo, que
fundou com Angelo Agostini, pioneiro dos quadrinhos brasileiros.

Uma história emocionante, inspirada em fatos reais, em uma
edição rica em materiais de apoio, que inclui textos das
historiadoras Maria Cristina Cortez Wissenbach e Silvana Jeha, uma
cronologia da luta abolicionista em São Paulo e, pela primeira vez,
a reprodução integral das cartas de Tiodora.

Mukanda Tiodora também foi publicado no exterior pelas editoras Çà et Là (França, 2024, ISBN-10: 2369903244), Flow Press (Espanha, 2024, ISBN-10:‎ 8412780906), Polvo (Portugal, 2024, ISBN 9789899084339) e será publicado pela Fantagraphics (EUA).

Prêmios e indicações
Prêmio Grampo de Ouro 2023
https://vitralizado.com/hq/premio-grampo-2023-de-grandes-hqs-o-resultado-final-as-20-hqs-mais-votadas/
Troféu HQMIX 2023 - Arte-finalista Nacional e Desenhista Nacional
Prêmio Jabuti 2023 - categoria quadrinhos

"A história de Tiodora e a de suas cartas ganham agora continuidade impossível de ser atingida somente pelas investigações históricas. Finalmente se materializam na produção artística dirigida a um grande público. Nada melhor poderia lhes acontecer."
Cristina Wissenbach, historiadora

"Entre a firmeza do baobá, a beiradinha d´água, o frenesi das esquinas e a sinuosa fluência de rio, D´Salete delineia a presença pulsante dos invisíveis. Trança sonhos congadeiros com improváveis letras pretas. Cisma em chaves históricas como a Guerra do Paraguai, as campanhas pela abolição, a quilombagem incendiária, a servidão urbana e os projetos e lutas de uma intelectualidade negra. Nestes quadrinhos vibram malícia, serenidade, fome de vingança e as hortas que o lápis cultiva no papel."
Allan da Rosa

Mukanda Tiodora é uma ficção que mistura pesquisa histórica e especulação para recriar o passado do ponto de vista de pessoas negras. Assim, ao longo da trama Teodora, Claro e o advogado e poeta abolicionista Luiz Gama convivem com personagens ficcionais. A Teodora mencionada no arquivo colonial se transforma aqui em Tiodora, ou Tiô, encarregada do trabalho doméstico na casa do cônego e que ainda é obrigada a vender frutas como escrava de ganho. Depois de entregar os lucros ao senhor, ela guarda sua parte para comprar sua alforria.
Stephanie Borges

"Além de nos trazer essa história da carta real de Tiodora, ele nos traz esse cenário pouco conhecido ou propositalmente invisibilizado das lutas citadinas desses sujeitos, ele nos apresentava as lutas travadas nos interiores do Brasil."
@balburder

Mukanda, aliás, do kimbundu, é um vocábulo polissêmico que pode significar “rito de passagem”, “A Carta” (de alforria) e “texto impresso”; na obra é usada como sinônimo de “carta”, mas carregando a complexidade significativa, já que a intenção de Tiodora com a elaboração das correspondências era conseguir sua liberdade e fazer a travessia em retorno para uma nova vida.
Anne Quiangala

D’Salete usa desse arquivo, as sete cartas achadas, para produzir então uma obra que preenche o que não pôde ser escrito pelo carpinteiro Claro, que ajudava a colocar no papel o que Tiodora precisava dizer (sabe-se, ainda, que Claro não foi o único a escrever cartas ditadas por ela, há outra ou outras pessoas não identificadas). O artista faz um cuidadoso trabalho de reconstituição de uma São Paulo muito diferente daquela de seus dois primeiros álbuns – Noite luz e Encruzilhada – e sobretudo cria uma atmosfera que possibilite a existência dessa mulher para além do encarceramento narrativo da escravidão. Em um dos gestos mais fabulativos do livro, o autor possibilita, dentro de uma estrutura circular do tempo, que as primeiras e as últimas páginas de sua história não estejam presas ao não retorno, ao não cumprimento da promessa de voltar à África. Com a liberdade que lhe é cedida pela reelaboração imaginada, Tiodora se encontra com algo que excede o arquivo e, por consequência, excede o trauma.
Carol Almeida

 

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