ANGOLA JANGA, Marcelo D'Salete, 432 páginas, Veneta, novembro de 2017.
Angola Janga, “pequena Angola” ou, como dizem os livros de história, Palmares. Por mais de cem anos, foi como um reino africano dentro da América do Sul. Formada no fim do século XVI, em Pernambuco, a partir dos mocambos criados por fugitivos da escravidão, Angola Janga cresceu, organizou-se e resistiu aos ataques dos militares holandeses e das forças coloniais portuguesas. Tornou-se o grande alvo do ódio dos colonizadores e um símbolo de liberdade para os escravizados. Seu maior líder, Zumbi, virou lenda e inspirou a criação do Dia da Consciência Negra.
O livro foi considerado pela crítica especializada (Jornal O Estado de São Paulo, Revista O Grito, Folha de Pernambuco) uma das principais obras do ano de 2017, agraciado pelo Prêmio Grampo Ouro 2018, pelo troféu HQ MIX 2018 em quatro categorias (Desenhista nacional, Roteirista nacional, Destaque internacional e Edição especial nacional) e ganhou o 60º Prêmio Jabuti (categoria quadrinhos).
Angola Janga foi publicado também na França (editora Çá et Là) e Portugal (Editora Polvo).

Projeto realizado com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Cultura e Proac 2016.
ISBN 978-85-9571-013-9.

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Para acessar o livro em bibliotecas de SP:
http://bibliotecacircula.prefeitura.sp.gov.br/pesquisa/titulo.jsf?codigo=478887&tipoDoc=0

Comentários

O Quilombo dos Palmares, um dos principais do período colonial brasileiro, é descortinado poeticamente no livro Angola Janga, lançado em 6 de novembro. Por meio dos quadrinhos, o ilustrador Marcelo D'Salete desenha e narra a história de personagens negros como Zumbi, Antônio Soares, Ganga Zumba e Ganga Zona. Principal liderança do quilombo, Zumbi morreu em 20 de novembro de 1695. A data é comemorada anualmente como o Dia da Consciência Negra.
Carta Capital, https://www.cartacapital.com.br/educacao/palmares-a-longa-resistencia

Uma novela gráfica primorosa sobre o mais famoso centro de resistência negra no Brasil.
 Juliana Almeida, Folha de Pernambuco

A obra foi produzida ao longo de 11 anos e trouxe informações importantes deste que é um dos maiores símbolos de resistência contra a opressão trazida pela escravidão. No traço e na narrativa, D’Salete nunca esteve tão sofisticado, apostando em diversos elementos que dão um tom de aventura e drama para a saga de Palmares.
Revista O Grito!

Um dos grandes lançamentos dos quadrinhos brasileiros (se eu colocar “de todos os tempos” duvido que alguém diga que é exagero).
Guilherme Sobota, http://cultura.estadao.com.br/

Talvez a grande obra da década e não apenas no universo dos quadrinhos. Nos impacta a imensa habilidade no traço do autor e o domínio das técnicas que se enamoram ao cinema e às artes plásticas em geral, mais a pesquisa de 10 anos e a habilidade literária em compor personagens. 
Allan da Rosa, http://www.suplementopernambuco.com.br

Palmares cresceu. Tornou-se tornou alvo dos escravistas e dos colonizadores ao mesmo tempo que servia de destino a ser alcançado por aqueles que conseguiam deixar seus “senhores” e capatazes para trás.
Rodrigo Casarin, https://paginacinco.blogosfera.uol.com.br/

Com 432 páginas, o livro é um impressionante romance histórico calcado em fatos sobre o mais conhecido foco de resistência negra do Brasil colonial. “Esta não é ‘a’ história. Mas ‘uma’ história de Palmares”, esclarece o autor no posfácio. “Há documentos principalmente das últimas décadas da batalha. Essas fontes são de soldados, oficiais, senhores de engenho, governadores, padres etc. Enfim, pessoas comprometidas com a destruição de Palmares. Esta obra, por sua vez, pretende conduzir a narrativa a partir do olhar dos palmaristas.
Guilherme Sobota, http://cultura.estadao.com.br/

D’Salete passou 11 anos pesquisando os contextos político, social e histórico de “Angola Janga” (“Pequena Angola” na língua banto quimbundo, nome original de Palmares) para soltar, finalmente, pela editora Veneta, um robusto romance gráfico com mais de 400 páginas que definitivamente marca a história das HQs brasileiras.
Ciro Marcondes, https://www.metropoles.com/

"O que eu tentei no livro foi elaborar narrativas a partir das pessoas que estavam dentro de Palmares, dentro de Angola Janga. E para isso a ficção é muito importante. É a partir dela que a gente consegue imaginar como seria a vida daquelas pessoas naquele momento", conta o autor. O desejo inicial do autor era construir personagens com objetivos, interesses e complexidade. Para ele, o resultado final apresenta uma "visão muito pessoal sobre Palmares".
Amauri Terto, http://www.huffpostbrasil.com/

 

 

Angola Janga é um ponto alto em muitos sentidos. Alto numa carreira cheia de cumes, do autor de Noite Luz, Encruzilhada e Cumbe. Alto na construção de uma história coletiva com protagonistas negros e suas vidas cheias de emoção, desejos, heroísmos, fracassos e lutas pela liberdade humana. Marcelo D’ Salete enfrentou o desafio de construir graficamente uma (e não a) história de Palmares, com economia de palavras, reiteração de imagens (prestem atenção aos pássaros pretos no ar e os anéis simbólicos!) e cheia de expressividade desenhada (como os olhos de seus personagens, humanos ou não, dizem tanto!). Esta história, alicerçada em fontes históricas, ainda disputáveis nos dias correntes, pode não ser a mais próxima do que efetivamente tenha acontecido. Mas o processo de construção da História é também reconstrução. Palmares vive como memória coletiva negra e D’Salete interpreta essa memória, tão acionada em diferentes momentos do século XX (há uma bonita homenagem, por exemplo, a versos de José Carlos Limeira em um de seus quadros), para o século XXI, para uma nova geração de leitores, com a beleza, rigor e dignidade que ela requer. De Cumbe para Angola Janga este jovem desenhista negro tem aceito o desafio de construir uma narrativa alternativa e positiva do mundo negro brasileiro.
Mário Medeiros, autor do livro A descoberta do insólito

D’Salete recupera as relações entre os negros aquilombados e assenzalados, entre o quilombo e seu entorno da época, lembrando que o quilombo não ficava isolado do mundo colonial. O gigantesco drama de Palmares é tirado do silêncio das matas e da distancia do tempo e trazido de volta ao presente.
André Toral, autor de Holandeses

Um de seus objetivos com a HQ é propor uma nova leitura sobre a luta de grupos negros, populares e indígenas contra um modelo colonial baseado em uma forte hierarquia social.
Ramon Vitral, https://entretenimento.uol.com.br/


Angola Janga ganhu o Troféu HQ MIX 2018 nas categorias de Desenhista nacional, Roteirista nacional, Destaque internacional e Edição especial nacional.