Noite Luz (Marcelo d´Salete), Editora Via Lettera, setembro de 2008.
O álbum Noite Luz é constituído por seis histórias em quadrinhos - Noite Luz, Entre Rosas e Estrelas, Buldog, Sexta, O Patuá de Dadá e Graffiti. Esse é o universo onde vários personagens se cruzam, embora nunca deixem de ser estranhos. O livro traz texto de apresentação do Allan da Rosa e Bruno Azevêdo. Além do Brasil, o álbum foi publicado na Argentina pela editora Ex-Abrupto, em espanhol, e eleito um dos 100 melhores quadrinhos da década pelo site comiqueando. Abaixo seguem imagem da capa, algumas páginas internas e comentários sobre a publicação (112 páginas em P&B, 16x23cm, capa colorida, ISBN: 8576360713).
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Comentários

"NOITELUZ é literatura, é cinema e artes plásticas. aborda o racismo
que às vezes é rente, escalpo. e que noutras é sutil, silencioso e se alastra como a
barba na cara. a palavra é pouca e é vulcão. um detalhe de foto arromba, um giro na
mobília, um traço de gesto, dão o grau da melancolia ou da fervura do drama.
personas contidas, quase estourando, requentando a desconfiança e as
esperas nunca consumadas, a vida despetalada da peleja pelo feijão.
batalha cardíaca que macera os tornozelos, entristece os pulsos.
que enxaquéca, que às vezes ganha um cafuné."
Allan da Rosa (Edições Toró)

"Em Noite Luz, todos estão mortos e o protagonista, se há, é um onipresente
sentimento de fatalidade nas pessoas que vagam pela noite, pelas ruas ou presas
a suas condições sociais. Há um silêncio enorme em tudo e mesmo o amor ou
sentimento de amizade esbarram na truculência, no diálogo impossível e na bala!"
Bruno Azevêdo (escritor e roteirista de quadrinhos)

"Sus relatos oscilan del género intimista al género policial, y sin embargo
no entran en ninguno. Saltan las barreras de géneros y códigos narrativos,
y si la impronta del cine es manifiesta sus recursos narrativos son a
su vez propios de la narración secuencial.
Marcelo D’Salete narra sus historias en función de su “ojo sociológico”
y sus relatos, como seres sociales difíciles de encasillar, no responden a
ninguna lógica de género… sólo les toman prestado ciertas apariencias."
Thomas Dassance (editora Ex-Abrupto, esse trecho é parte do prefácio da
edição argentina
)

"Los relatos de D’Salete son postales despojadas del brillo barato e incompleto que
venden las agencias de turismo. Son trazos de una urbe que podría ser cualquier ciudad,
pero que se adivina irremediablemente brasileña, inevitablemente sudamericana: con
desocupados, subocupados y malocupados, con niños que pierden la inocencia
demasiado pronto, con sustos nocturnos, con rostros en los que se adivina una
amenaza de algo terrible y difuso (inseguridad, que le dicen), con barrios atendidos
por la autoridad sólo para hacer negociados, y viajes solitarios de madrugada en
cualquier transporte público."
Andrés Valenzuela (http://avcomics.wordpress.com)

""Noite Luz", o livro, traz HQs ambientadas em uma cidade grande que não é definida e
que têm em comum o ambiente. As histórias acontecem em um bairro de classe baixa onde
fica a boate Noite Luz, que dá título ao livro. É nessa região que pessoas comuns
protagonizam suas histórias cotidianas, que passam por desemprego, amor, decepção,
medo e decisões difíceis."
Pedro Cirne (especial para Folha de São Paulo)

"Nas seis tramas de Noite Luz, personagens se cruzam, mas jamais deixam de ser
estranhos uns aos outros. Enquanto outras HQs de crítica social voltam-se apenas
para a miséria e a violência das metrópoles ,o autor Marcelo d'Salete tem sensibilidade
para perceber que a frustração do desencontro pode ser uma mazela igualmente
devastadora. O grafite das ruas reflete nas suas páginas e o resultado é um mundo
cinzento, habitado por catadores de papel, meninos de rua e desempregados"
Marcel Nadale (Revista Playboy)

""NoiteLuz" pode ainda ser visto como a clara metáfora que propõe, em que a luz
nocturna ilumina as almas e os segredos das personagens: enquanto leitores, e graças
à focalização do narrador, e através de estratégias de silêncios estruturados entre o
pouco que as personagens resolvem dizer ("confessar", poder-se-ia precisar) umas
às outras, temos acesso, não directo, nítido, mas adivinhado, ao que pauta essas
mesmas vidas. Pode ser "luz" (vemos algo a formar-se, apreendemos algo delas),
mas mantém-se sempre com um ar de noite (as sombras teimam em ficar em seu
torno, não se abdica de todo o sigilo, sobrevivem zonas de indeterminação)."
Pedro Moura (blog lerbd)

"Mas, o que mais chama a atenção do trabalho de D’Salete neste livro é a narrativa.
Cadenciada, cinematográfica, experimental; é tudo isso e mais um pouco. Os desenhos são excepcionais.
Os traços do artista são singulares e transbordam o clima urbano; a sujeira e a opressão das
ruas de uma cidade grande qualquer. Essa questão da urbanização é algo bastante marcante no
trabalho dele. Tudo se passa em uma metrópole, em particular envolvendo a casa noturna que
dá título ao livro. Destaque para personagens extremamente humanos. Eles poderiam ser
qualquer um, alguém que eu ou você conheça, ou mesmo eu e você".
Matheus Moura (bigorna.net)

"(...) o desenho do Marcelo é uma síntese, muito esquemática e muito artística do mundo ao redor - ou do mundo que ele resolveu retratar, não importa. O que importa é que essa síntese só é possível com um poder de observação muito apurado. Já vi isso em outros raros artistas - me ocorreu agora um Flavio Colin como exemplo.
Alguém sugeriu Muñoz, o desenhista argentino, como parâmetro da arte do Marcelo. É, tem a ver. Mas ele me lembra mais Jacques Loustal, o francês meio solitário da antiga Metal Hurlant. Elegância e solidão, duas coisas que exalam dos desenhos de ambos. Apesar da temática, que é a realidade urbana brasileira da grande maioria desfavorecida - e que muitas vezes resvala para a marginalidade crua e simples - , a arte de Marcelo não é marginal. Marcelo dispensa, com muita propriedade, o fascínio infantil pela escatologia, que é a tônica de centenas de publicações "marginais" que pululam por aí.
Nada de cu-caralho-buceta-maconha-merda-fuder-tripas-vômito, o foco obssessivo, hedonista e raso na genitália do mundo, ou o foco - meio nauseante - do ególatra no próprio umbigo sujo. Aqui o cordão umbilical já foi devidamente cortado há muito tempo e o bebê chorão não existe mais. Existe a maturidade de um mundo adulto, a visão adulta desse mundo - mais contundente que o berreiro infantilóide e generalizado porque impõe, pela força de uma arte refinada, uma reflexão, um espelho, uma indagação séria sobre o que estamos vivendo".
Guga Schultze (http://www.verbeat.org/blogs/sic/)

Comentário sobre o livro no programa Pipoca e Nanquim.
http://www.videolog.tv/video.php?id=660388

Resenhas e entrevistas
Por las urbes de latinoamerica - Andrés Valenzuela
Entrevista no site Universo HQ
Matéria de Pedro Cirne no Jornal Folha de São Paulo


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